Ser ou não ser empreendedor? Eis a questão

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Muitas pessoas que cresceram profissionalmente trabalhando em grandes empresas vivem um dilema eterno: seguir na “segurança” da carteira assinada ou montar seu próprio negócio. Quase sempre tratam essa questão como uma dúvida entre viver o sonho de um negócio próprio ou a realidade de ter que pagar as contas no final do mês.

Eu mesmo, confesso, pensei muitas vezes sobre isso. Num primeiro momento sequer me dei conta de que minha dúvida era sobre empreender ou não. Às vezes é difícil imaginar uma situação se você não está familiarizado com ela. Explico: como saber que a minha insatisfação no trabalho estava relacionada à vontade de empreender e não de simplesmente trocar de empresa?

Foram meses digerindo o assunto (uns 18 meses, eu diria), conversando com diversas pessoas e estudando assuntos completamente diferentes entre si, como design thinking e governança corporativa. Estudar assuntos variados me ajudou a ampliar aos poucos minha visão e a formar um conceito melhor do que eu gostaria de fazer.

O principal problema nessa etapa de reflexão é a palavra ‘sonho’. Empreender tem menos a ver com sonho e mais a ver com projeto. Ficar fantasiando sobre como será a sua vida de empreendedor pouco ajuda a colocar suas ideias em prática. É necessário ter metas bem estabelecidas e um plano de negócio que seja factível e que lhe permita alcançar essa meta.

O pedido de demissão

Porém, senti que, no meu caso, eu não conseguiria tomar uma decisão se continuasse ocupando o mesmo cargo onde estava há alguns anos. Eu precisava sair para poder pensar sem nenhum viés específico. Por ocupar um cargo de confiança na empresa onde eu trabalhava, informei meu superior da minha decisão de sair, mas o deixei muito à vontade para decidir como e quando isso deveria acontecer.

Isso foi em agosto de 2015. Ele me pediu alguns dias para pensar sobre o assunto, pois não esperava por essa minha decisão. Depois de quase 10 dias ele me chamou para pedir que eu ficasse até dezembro para que fosse possível fazer essa transição sem traumas para a operação da empresa. Na época eu cuidava de praticamente todo administrativo e da operação da empresa (financeiro, TI, logística, produção, etc). Algumas dessas áreas são extremamente delicadas e não podem sofrer nenhum tipo de descontinuidade.

Topei e montei um cronograma de ações que eu deveria cumprir até o meu último dia na empresa. Meu chefe me pediu ainda alguns ajustes adicionais àqueles que eu havia sugerido e aprovamos um plano de trabalho para os quatro meses seguintes.

Eu precisava também me organizar para que, ao final desses quatro meses, eu tivesse uma visão mais clara de qual caminho eu gostaria de trilhar profissionalmente. Iniciei um ou programa de transição de carreira com uma empresa especializada, agendei conversas com pessoas que eu achava serem capazes de me ajudar e, somente nesse momento, comecei a estudar um pouco mais sobre empreendedorismo.

O Empretec

Durante minhas conversas com amigos e com outras pessoas dentro do trabalho de transição de carreira, surgiu por diversas vezes o tema ‘Empretec’. Para quem não conhece, trata-se de um seminário desenvolvido pela UNCTAD (órgão ligado à ONU) no qual o principal objetivo é estimular nos participantes os comportamentos de um empreendedor de sucesso. Para saber mais sobre o Empretec clique aqui.

Resisti bravamente a ir participar do processo de seleção para participar do seminário. Na minha cabeça não fazia muito sentido ir participar de um programa sobre comportamento empreendedor se eu já tinha participado de tantos programas de gestão de empresas. Mal sabia eu que o Empretec seria o programa mais desafiador da minha vida profissional.

Depois de muitas conversas acabei aceitando o desafio e fui aceito durante o processo de seleção para participar da turma que aconteceria no final de novembro de 2015, na Tijuca. E foi aí que a minha vida profissional começou a mudar de verdade. O seminário Empretec é totalmente diferente de qualquer curso sobre gestão, liderança ou estratégia do qual você já tenha participado. O programa está muito mais focado em atitudes e comportamentos do que no conteúdo propriamente dito.

Durou 6 dias e foi uma loucura. É tudo muito intenso e não dá tempo de pensar nem fazer outra coisa que não seja participar do seminário. As emoções, as angústias e as alegrias vividas durante o seminário mudaram definitivamente minha noção sobre empreendedorismo e sobre como ter seu próprio negócio. Descobri que minha experiência como executivo e minha formação acadêmica, apesar de continuarem relevantes, tinham menos importância do que eu imaginava.

O seminário me mostrou que não há glamour nenhum em empreender e que ‘sonho’ é diferente de ‘meta’. Portanto a minha dica é: se você ainda está em dúvida sobre empreender ou não, recomendo que participe do Empretec antes de tomar a sua decisão. Foi no dia seguinte ao término do seminário que eu finalmente decidi dar um novo rumo à minha carreira profissional e seguir a trilha do empreendedorismo.

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