Mídia digital: um mundo em construção

Imagem: picjumbo.com
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Não há sequer sombra de dúvida em relação ao impacto das novas tecnologias digitais no mundo dos negócios. Quando se trata então do mercado de mídia, em particular jornais e revistas, esse impacto é ainda mais evidente. Todo mundo já leu, viu ou ouviu alguma coisa sobre o fim da mídia impressa e coisas do gênero. Hoje já se sabe que esse fim, se existir, nem está tão próximo assim.

Jornais e revistas ainda tiram muito do seu sustento por meio de suas edições impressas, assim como a televisão ainda é totalmente dependente de publicidade em sua grade de programação. O caminho parece inexorável na direção da digitalização das mídias, seja a migração das revistas para os tablets, seja a migração dos programas de televisão para o video on demand, muito bem representado pelo Netflix, Hulu e alguns outros.

Porém esse caminho para o digital ainda não é muito claro. Estamos vivendo um período de exploração muito similar às grandes navegações: não se sabe bem a direção para onde ir e nem direito o que encontrará lá quando chegar. Isso obviamente traz inseguranças enormes, mas que estão diretamente associadas aos possíveis ganhos de quem conseguir desbravar esse novo mundo.

Esse mundo digital ainda é um mistério para o qual ainda se busca constantemente entendimento. Vou pegar como exemplos os jornais sobre os quais conheço um pouco melhor o histórico. Aqui no Brasil os jornais estão na internet desde o final de 1995, ou seja, praticamente vinte anos. Esse tempo todo se passou e ainda não há consenso sobre qual é o montante de receita digital proveniente de anúncios veiculados nos sites. Uma matéria divulgada pelo Meio&Mensagem dá conta de que somente agora o IAB (Interactive Advertising Bureau) “anunciou uma nova metodologia, desenvolvida em parceria com a ComScore, para estimar o investimento brasileiro em publicidade digital”.

Ainda há também muita discussão sobre como as empresas devem se organizar para enfrentar esses desafios. Um dos temas mais relevantes para as empresas jornalísticas é como organizar suas Redações para atender a uma quantidade cada vez maior de plataformas (desktop, impresso, tablets, mobile). Um encontro recente também divulgado pelo Meio&Mensagem trouxe esse tema ao debate. Alguns especialistas acham que a unificação das redações (impresso e digital) é um equívoco pois “submeter a lógica da internet à Redação convencional é submeter o futuro ao passado”, afirma o jornalista Leão Serva. Já a jornalista Vera Guimarães defende que “ao agregar o profissional do impresso no online, melhoramos a qualidade do jornalismo digital, e não o contrário”. Esse é apenas um exemplo de como esses temas ainda precisam ser debatidos e testados.

Até mesmo a relevância do digital é colocada em xeque por vezes, como aconteceu numa entrevista do publicitário Martin Sorrell à associação britânica de jornalistas Broadcasting Press Guild. Segundo O Globo, Sorrell é “fundador e presidente da WPP, maior empresa de publicidade do mundo e que movimenta robustos orçamentos no segmento”. Ainda de acordo com o jornal seu discurso indica uma guinada importante no mercado de mídia.

O brasileiro Nizan Guanaes, principal executivo de uma das maiores agências de publicidade no Brasil, já tinha falado sobre o mesmo tema em setembro de 2014 durante a VII edição do Fórum da Associação Nacional dos Editores de Revistas (Aner). Nessa oportunidade Nizan provocou o público presente dizendo que nunca viu alguém gostar de falar tão mal de si mesmo como a mídia impressa.

Alguns jornais estão trabalhando de forma mais intensa na busca por novas receitas digitais enquanto outros adotam abordagem um pouco mais conservadora. Enquanto uns lançam novos produtos totalmente digitais, como o caso do site ‘XD’ (xd.globo.com), desenvolvido pela Infoglobo especialmente para público mais jovem, outros buscam alternativas multiplataformas e trabalham seu conteúdo em diferentes formatos. A Folha de S. Paulo inaugurou um projeto batizado Tudo Sobre no qual produzem por meses reportagens “de fôlego” que depois são disponibilizadas no impresso e no digital.

O fato é que esse momento de transição tem trazido desafios monumentais para as empresas conseguirem se manter rentáveis. Cortes de pessoal e redução de estrutura acabam sendo inevitáveis para que as empresas jornalísticas se mantenham financeiramente saudáveis por mais tempo. Buscar eficiência não é apenas uma questão importante mais para os jornais, tornou-se fundamental. Sem isso será muito difícil cruzar esse oceano de incertezas e conseguir chegar ao outro lado.

Aprender com os portugueses que chegaram aqui há mais de quinhentos anos atrás pode ser uma fonte de inspiração. Afinal esses exploradores passavam por provações importantes, como tempestades, fome, ataques piratas e motins, para seguir numa direção da qual não tinham certeza se era correta e nem do que encontrariam se chegassem em algum lugar. A resiliência deles mudou a forma da humanidade ver o mundo. Pode ser que algo parecido nos aguarde nessa nova terra ainda inexplorada.

Fonte: Meio&Mensagem, Meio&Mensagem, O Globo, Meio&Mensagem,

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