Os desafios futuros das empresas jornalísticas brasileiras

O mercado de mídia andou bastante agitado nos últimos meses. Nada diferente do que vinha acontecendo anteriormente. Ainda há muita incertezas e especulações sobre o futuro da mídia de uma forma geral. Que a mídia impressa está passando por um período de transformação eu já sabia, só não tinha ideia de que os profissionais que trabalham com televisão também tinham preocupações importantes sobre o futuro dessa mídia.

Tive a oportunidade de participar de um evento recentemente que discutia o futuro das mídias e ouvi de alguns profissionais de televisão que esta mídia está começando a sofrer agora o que os jornais passaram há uns cinco ou seis anos atrás. Com um agravante: a receita publicitária da televisão é muito (mas muito mesmo) maior do que o dos jornais.

O quanto disso é fato e o quanto é apenas pessimismo não dá para saber agora. Uma pesquisa feita pela PwC indica que a indústria mundial de mídia e entretenimento deverá crescer uma base de 5% ao ano. Essa mesma pesquisa mostra que o Brasil deverá crescer acima dessa média no mesmo mercado, chegando a quase US$ 70 bilhões em 2018.

Outro relatório, este desenvolvido pelo instituto MoffetNathanson, prevê que o mercado publicitário americano deva crescer mais de 6% em 2014, principalmente por causa dos jogos de inverno que aconteceram em Socchi, na Rússia. Obviamente a internet segue crescendo a taxas desproporcionais quando comparado com outras mídias, mas a televisão continua sendo a que recebe os maiores investimentos publicitários.

Isso é uma notícia boa para os profissionais que trabalham nessa indústria de mídia e entretimento. Porém as empresas que insistirem em modelos de negócio do século passado tendem a perder esse bonde. Isso é o que mostra a WAN-Ifra, que representa o mercado de jornais do mundo todo. A circulação de jornais impressos na Europa caiu mais 4% no último ano e já perdeu 14% do share de publicidade que tinha há 10 anos atrás.

Não a toa os maiores jornais brasileiros estão investindo cada vez mais em seus produtos digitais. Três dos mais relevantes jornais brasileiros revisitaram seus sites no primeiro semestre desse ano, alguns deles poucos meses depois de terem feito o mesmo trabalho. Quem acessa hoje os sites do Estadão, O Globo e Zero Hora encontram um produto bem diferente daquele que existia no final do ano passado.

Mas o jogo na internet tem regras bem diferentes daquele que era jogado no mundo analógico. Os campeões são outros, e têm características e competência bem diferentes. As empresas que recebem maior parte do investimento publicitário na web não geram uma linha sequer de conteúdo. Funciona bem para o Google e para o Facebook, mas vai dar certo para empresas de conteúdo?

Além disso, os jornais demoraram muito para empreender em áreas onde empresas de outros setores já vinham capturando bons resultados há anos. Um exemplo disso é a preocupação com as práticas de sustentabilidade, ainda tímido na pauta de empresas jornalísticas brasileiras. A entrada desse assunto na pauta não é uma questão de opção, mas sim de tempo. É inevitável para empresas que querem se manter no mercado nos próximos anos.

Nesse sentido faz-se extremamente relevante a busca por certificações, sejam ambientais, sejam de qualidade. A Associação Nacional de Jornais lança ainda esse ano um programa de certificação cujo objetivo é auxiliar os jornais a desenvolverem estratégias em seus produtos impressos que os torne mais eficientes, melhorem sua gestão ambiental e encante seus clientes e funcionários. Quem não entrar nesse bonde terá muita dificuldade para continuar gerando bons resultados.

As certificações ajudam empresas a olhar para fora, descobrir as melhores práticas de mercado e as melhores formas de implementá-las. Sabe-se, por exemplo, que alguns jornais com modelo comercial de assinaturas não têm um SAC estruturado para atender adequadamente seus clientes. Isso não é nada sustentável, afinal como manter clientes satisfeitos se a empresa sequer abre um canal para ouví-los?

Percebe-se, portanto, que os jornais precisarão trabalhar mais e mais rápido do que outras empresas. Primeiro porque são diretamente afetados pela Internet e segundo porque ainda têm espaço para se desenvolver em competências que já são velhas conhecidas de outras empresas.

Ou seja, a vida não tende a ficar mais fácil daqui pra frente e apenas bons profissionais conseguirão se destacar num ambiente árido e hostil como esse. Mas isso é uma boa notícia para quem é competente. Nada melhor do que um ambiente profissional que permita distinguir os profissionais bons daqueles que querem apenas ganhar o salário no final do mês.

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