Aumenta interesse de jornais internacionais pelo mercado brasileiro

Imagem: Jornais Online.net
Imagem: Jornais Online.net

De alguns anos para cá percebe-se cada vez mais notícias veiculadas sobre a tentativa de jornais de fora lançarem títulos no Brasil. Com a notícia recente do lançamento da versão brasileira do Huffington Post o tema volta a tona e merece uma discussão maior.

Em 2009 o grupo Ongoing, que edita o diário português Económico, lançou uma versão brasileira impressa chamada Brasil Econômico. Logo depois, em 2010, adquiriu todos os títulos de mídia impressa do grupo O Dia. Se não me engano foi a primeira entrada relevante de um grupo estrangeiro no mercado de jornais brasileiros.

No final de 2012 circulavam boatos de que o New York Times lançaria também uma versão em português exclusivamente digital do seu conteúdo. No início de 2013 esses boatos foram confirmados, porém com a notícia de que esse lançamento seria adiado para que o New York Times pudesse se dedicar à campanha de internacionalização da sua marca principal.

Nos últimos dias de setembro o Huffington Post anunciou o lançamento de sua versão tupiniquim, que deverá se chamar Brasil Post, em parceria com o grupo Abril. O Post, como se sabe, tem uma história relativamente curta (foi lançado em 2005), mas repleta de inovações, como a aposta maciça em uma rede enorme de blogueiros e o uso de publicidade nativa, que tem garantido boa parte de suas receitas.

O diário espanhol El País também divulgou em meados de 2013 seu plano de lançar ainda esse ano uma versão em português como parte de sua estratégia de se tornar um título internacional.

Essa movimentação toda traz, na verdade, mais perguntas do que respostas. É curioso que de alguns anos para cá o interesse no mercado editorial brasileiro tenha aumentado tanto, e que isso tenha acontecido somente a partir de 2009. Obviamente, de lá para cá o país se tornou a menina dos olhos para muitas empresas estrangeiras, principalmente por ter sido um dos primeiros a se recuperar da crise financeira global que se iniciou com a quebra do banco americano Lehman Brothers.

No passado era mais complicado lançar títulos em outros países pois o ticket de entrada era caro. A montagem de uma gráfica não é algo a ser minimizado num caso desses. Com a internet, esses jornais podem lançar suas versões locais sem a necessidade de um investimento de grande porte.

Mas quase 20 anos se passaram desde que os jornais lançaram seus conteúdos na internet. Por que só agora resolveram romper fronteiras na direção de mercados emergentes como Brasil? Vale lembrar que muitos deles não existiam há 10 anos atrás, como é o caso do Huffington Post, e outros não estavam em situação financeira que os permitisse fazer qualquer outra coisa que não fosse cuidar do seu mercado principal, como é o caso do New York Times e do El País.

Nesse momento forma-se um cenário de condições favoráveis que levam à decisão óbvia de avançar em outros mercados: fim das barreiras físicas com advento dos jornais online, estabilização das receitas desses jornais e a contínua queda do meio em seus mercados primários.

Não será de se espantar se outros grupos estrangeiros como a News Corp, que tem uma brasileira como membro de seu conselho de administração, ou o grupo Gannet, dono de diversos jornais americanos (entre eles o USA Today), resolverem também desembarcar aqui.

Mas a principal pergunta – e essa merece uma discussão própria – é: estão os jornais brasileiros preparados para enfrentar essa nova concorrência? Qual será o diferencial desses jornais diante de grupos com uma quantidade absurda de dinheiro para investir em inovação? Quem quiser arriscar palpites é só deixar seu comentário aqui embaixo.

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